sexta-feira, 29 de agosto de 2014

REUVEN FEUERSTEIN MORRE EM JERUSALÉM.


Faleceu dia 29 de abril de 2014, o psicólogo e educador judeu Reuven Feuerstein. Tinha 92 anos.
Reuven Feuerstein

É POSSÍVEL SIM SER MAIS INTELIGENTE.
“A inteligência não é uma estrutura estática, mas um sistema aberto, dinâmico, que pode continuar a desenvolver-se ao longo da vida” – Dr. Reuven Feuerstein – 1921 – 2014

Morreu 30 de abril de 2014, em Jerusalém, o judeu romeno Reuven Feuerstein, criador das teorias da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE) e da Experiência da Aprendizagem Mediada (MLE). Feuerstein é também o autor do internacionalmente conhecido e mundialmente aplicado Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI). Nos dias de hoje, qualquer autor ou pesquisador que trabalhe embasado no conceito de que a Inteligência Humana pode ser desenvolvida, deve prestar um tributo ao Professor Feuerstein, que foi pioneiro neste estudo.
Feuerstein iniciou seus estudos na Universidade de Genebra, onde trabalhou com os mais renomados psicólogos e pedagogos, como Jean Piaget e Andre Rey. Fundou, e presidiu até ontem, o Centro Internacional pelo Desenvolvimento do Potencial de Aprendizagem (ICELP) em Jerusalém, onde os estudos são focados no conceito de que a inteligência é plástica e modificável, e que a inteligência pode ser pensada e desenvolvida em um ambiente de aprendizagem mediada criado a partir da teoria da Experiência da Aprendizagem Mediada.
Depois de desenvolver suas teorias e de aplicar uma série intervenções práticas para mediação com crianças sobreviventes do holocausto, Feuerstein respondeu à demanda de professores por métodos que pudessem solidificar seu trabalho no formato curricular. Para esse fim, desenvolveu 14 “instrumentos” que mediadores e estudantes usam para enriquecer funções cognitivas e construir o hábito de se ter um pensamento eficiente. Estes instrumentos são a base do Programa de Enriquecimento Instrumental, ou simplesmente PEI.
Desde o início da sua aplicação, os resultados do programa já foram documentados em mais de 1500 pesquisas científicas que atestam resultados extremamente positivos junto aos mais diversos – e aparentemente não intercambiáveis – públicos. O método criado por Feurstein tanto é aplicado junto a engenheiros da Motorola quanto a estudantes carentes da Bahia, imigrantes analfabetos da Etiópia ou crianças autistas ou com síndrome de Down. Feurstein tem um neto com Down junto ao qual seu método foi aplicado resultando num desempenho escolar que chamou a atenção pelos resultados alcançados.
FDI Soldiers AKIM
Soldados portadores de necessidades especiais pertencente ao grupo AKIM das Forças de Defesa de Israel
INCLUSÃO SOCIAL EM ISRAEL NÃO É MERA RETÓRICA
“Um país deveria ser julgado pela forma como ele trata os mais vulneráveis de seus cidadãos” (Benjamin “Bibi” Netanyahu).
Há 17 anos, Myron Tribus, diretor do Centro de Estudos Avançados em Engenharia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), depois de participar da 18ª Conferência Anual do ICELP deixou este emocionante registro: “Hoje, a 18ª Conferência Anual foi aberta sobre duas teorias básicas: Teoria da modificabilidade cognitiva estrutural (MCE) e Experiência da Aprendizagem Mediada (EAM), com seus dois métodos aplicados: Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI) e o Teste de Propensão à Aprendizagem (LPAD). Há 233 pessoas participando da conferência, representando 33 diferentes países. A cerimônia incluiu observações dadas pelo sr. Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro. Ele falou da importância da educação nesta nova era e então descreveu sua experiência em uma base militar próxima. Lá, ele encontrou com alguns homens com Síndrome de Down, que tinham sido mediados pelo método de Feuerstein e que estavam agora servindo com o uniforme das Forças de Defesa de Israel (IDF). Ele mencionou o orgulho desses homens em estarem prontos para vestirem o uniforme e cumprir com suas obrigações militares. Ele também falou de sua gratificação na aceitação desses soldados pelo comando militar. Em um ponto ele disse: ‘Eu tive grande dificuldade em conter minhas emoções quando eu vi e falei com estes homens afligidos com a Síndrome de Down’”.
Elad Gevandschnaider
Desde 2008, dezenas de cidadãos israelenses, portadores da Síndrome de Down, entraram para as Forças de Defesa de Israel, sendo que diversos deles completaram o serviço e têm hoje todos os direitos e benefícios como qualquer outro veterano que por lá passou.
Um desses veteranos é o soldado Elad Gevandschnaider (foto ao lado), que por ocasião dos festejos do 65 º aniversário do estabelecimento moderno de Israel, foi distinguido com o Prêmio IDF de Excelência, não por comiseração, mas por mérito. Gevandschnaider é detentor de diversos títulos conquistados em Olimpíadas Especiais em diversas partes do mundo e foi a primeira pessoa com necessidades especiais a representar o tênis de Israel em competições internacionais.
Nesta quarta-feira Elad Gevandschnaider tem o que lamentar. Nesta quarta-feira Israel tem o que lamentar. Nesta quarta-feira o mundo tem o que lamentar. Perdemos ontem um dos maiores educadores de todos os tempos.
Crianças romenas sobreviventes da Shoah
Essas crianças foram vítimas da barbárie nazista. Os ossos escondiam infâncias quase roubadas. Feuerstein as devolveu.

Fonte: http://noticiasdesiao.wordpress.com/2014/04/30/reuven-feuerstein/