quarta-feira, 5 de maio de 2010

Educação corporativa no Brasil ainda não é consolidada.

Educação corporativa no Brasil ainda não é consolidada
Por Felipe Maeda Camargo - felipe.maeda.camargo@usp.br
Publicado em 9/dezembro/2009 | Editoria : Educação | Imprimir Imprimir |

A educação corporativa no Brasil ainda está se consolidando e necessita de visão de cadeia de valor. Essa foi uma das principais conclusões da Pesquisa Nacional sobre Práticas e Resultados da Educação Corporativa, trabalho realizado por um grupo de pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP que levantou dados de 54 empresas do País.
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Cadeia de valor e educação corporativa repercutem nas vendas e na produtividade

Idéia surgida nos Estados Unidos, na década de 1980, a educação corporativa foi desenvolvida por empresas para melhorar seu desempenho, oferecendo cursos tanto para funcionários internos como para as empresas associadas.

Já cadeia de valor, também um dos objetos estudados pela pesquisa da FEA, se refere a todos os agentes envolvidos na produção de um bem em uma organização, que conta desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção e de venda até à fase da distribuição final. Desse modo, ao conciliar visão de cadeia de valor com educação corporativa, a empresa otimiza os cursos dados, criando uma rede integrada com os diferentes responsáveis pela venda de um produto. Como foi concluído pela pesquisa, isso repercute positivamente nas vendas e na produtividade.

Um exemplo envolvendo educação corporativa e cadeia de valor é quando uma empresa de bebidas decide averiguar quais são os diferenciais necessários para que as pessoas consumam seus produtos. Ela percebe que os consumidores são exigentes quanto à temperatura da bebida. Para atender a essa demanda, a empresa decide priorizar a distribuição e a logística para que sua bebida chegue ao consumidor na temperatura ideal. Com essa ideia em mente, a empresa passa a oferecer cursos às empresas afiliadas responsáveis pela distribuição da bebida com a finalidade de oferecer qualificação às pessoas envolvidas neste setor.

A pesquisa da FEA destaca que, no Brasil, a educação corporativa é realizada principalmente por grandes empresas, o que evidencia a necessidade de cursos dispostos às pequenas e médias empresas relacionadas às grandes. No País, porém, há consideravelmente poucas redes integradas e as empresas que exploram a educação corporativa precisam estabelecer critérios claros para prática e avaliação dos cursos. Marisa Eboli, professora da FEA e coordenadora da pesquisa, justifica que as empresas ainda estão consolidando a educação corporativa. “A grande maioria começa a educação corporativa para as necessidades de formação do público interno, depois amplia para o público externo.”

Dados e desafios
A pesquisa envolveu empresas de infraestrutura, industriais, de serviços, do comércio varejista e do financeiro, com capital nacional e estrangeiro. A maioria é do setor industrial ou de serviços (68%), privada (81%), de capital nacional (67%), com atuação internacional (63%), faturamento acima de R$ 1 bilhão (57%) e com mais de mil colaboradores (70%).

Apesar da falta de investimento em cadeia de valor, 59% das empresas gastam mais de 3% da folha de pagamento com educação corporativa. Além disso, na maioria (55,5%), existe um sistema de educação há mais de quatro anos. Portanto, as empresas estudadas mostram interesse em investir no sistema, que contém vários desdobramentos estratégicos para elas, como alinhamento e inserção na cultura, integração com as demais áreas da empresa, modelo de governança, internacionalização da educação corporativa e mensuração e avaliação de resultados.

Dos desafios apontados pela pesquisa, além do acesso irrestrito a todos os públicos (internos e externos), são listados: conscientização e participação das lideranças em todo o processo da educação corporativa, integração entre ações da educação corporativa e as demais áreas da empresa e apropriada mensuração e avaliação dos resultados obtidos.

Coleta dos dados
A pesquisa foi elaborada em um questionário eletrônico, com um pré-teste inicial feito com duas empresas escolhidas intencionalmente. Após o pré-teste, o questionário, que continha 96 questões, foi enviado para 800 empresas, das quais 54 responderam. Nestas, o questionário foi respondido pelo gestor da educação corporativa da organização, que pode ser um funcionário de RH ou de outro setor que a própria empresa define.

O grupo de pesquisa da FEA começou a apuração de dados em agosto de 2009 e a finalizou ainda em outubro. Os resultados preliminares da pesquisa foram apresentados em simpósio na FEA, no dia 27 do mês de novembro.

Mais informações: (11) 5182-1806 , com Marisa Eboli, email antonio.godoy@printeccomunicacao.com.br