sábado, 18 de abril de 2009

Como aproximar as crianças do livro e da leitura?

Como despertar nelas a paixão pelas histórias que ficam ali adormecidas, à sua espera para que possam ganhar vida e sentido?
Há inúmeras maneiras de fazer isso, tantas quantas nossa imaginação é capaz de conceber, mas todas elas têm algo em comum: para despertar paixão é preciso ter paixão.
Um episódio da história da Salamandra confirma essa afirmação.
Foi no início dos anos 80. A escritora Ana Maria Machado, contratada como consultora, tinha um de seus primeiros encontros de trabalho com os fundadores da editora. Objetivo: discutir uma “linha editorial” que orientasse a escolha de livros a serem publicados para crianças e jovens.
Curiosamente, não houve discussão teórica de propostas. Ana Maria simplesmente pediu licença para ler um texto em voz alta. Tratava-se de O que os olhos não vêem, um original de Ruth Rocha.
É bem provável que, a princípio, eles tenham achado graça em estar ali, homens adultos ouvindo uma mulher ler para eles uma história “infantil”. Mas, depois, imagino como aquela voz, que soava com sensibilidade e emoção, criou na sala um encantamento que pouco a pouco conquistou seus ouvintes.
E foi assim que se tomou uma decisão muito importante para o futuro da editora: publicar livros que falassem de perto à emoção do leitor.
Todas as vezes que alguém – professor, bibliotecário, monitora de creche, pai, mãe, tios, avós – se coloca na posição de intermediário entre a criança (ou jovem) e o livro, o encantamento relatado na cena acima deveria de novo ocorrer.
Como nos contos de fadas, todo aquele que abre um livro junto com uma criança deveria se sentir encarnando o papel do herói, no momento em que este se apropria de um objeto mágico, capaz de dar a seu portador também o poder de encantar. Um objeto que pode transformá-lo num mago, fada ou gênio, aquele que ilumina o caminho dos que estão ao seu redor, valendo-se apenas da magia que a própria leitura é capaz de criar.
Magia que, esperamos, contagie cada leitor e o acompanhe nos momentos quem que se coloca como intermediário entre o livro e uma criança.
Se conseguirmos isso em pelo menos parte dos títulos publicados pela Salamandra, estaremos levando adiante o signo sob o qual ela foi criada.
Que nossos livros sejam para crianças de todas as idades um passaporte para o prazer de ler!

Lenice Bueno da Silva
Editora da Salamandra